GAP YEAR LIFESTYLE PESSOAL RETROSPETIVA

COISAS QUE JÁ FIZ NO MEU GAP YEAR

14 de Setembro, 2020

Muito gosta a minha mente de, por vezes, enveredar para um estado de auto-sabotagem constante. Por norma, ou deixo que a corrente me assoma, ou aplico o travão que é sentar-me e expulsar o que vou pescando dessa aventura. O último ano tem representado uma das muitas arestas da minha existência, caracterizada pela sua intensidade, imprevisibilidade e questionamento. Achava eu que as decisões que havia tomado eram uma bola de neve, quando, na realidade, ilustravam um simplório grão de areia no aglomerado de acontecimentos que dali sucederam.

Há dias em que me arrependo de não me ter dado a outras opções, para que no veredicto final, eu não me tivesse permitido a sair da zona de conforto. Para contrariar, afago-me e repito que o melhor caminho que eu poderia ter explorado tem sido este, que foge aos ideais há muito concebidos e que me permitiram descobrir esta tímida força que, cuidadosamente, vai calcando terrenos, fixando-se onde realmente pertencer.

céu azul tingido de nuvens, com um recorte de semáforos

Sendo a vida curta, não há cá tempo para questionar um trilho que, a cada dia, se tem iluminado cada vez mais. Pelo menos, dentro de mim. A decisão à qual me refiro foi a de não ter prosseguido para o mestrado, desalinhando planos e sonhos com os quais já não me identificava. Consequentemente, vivi experiências, conheci pessoas, visitei locais que me marcaram positivamente, cuido de mim… É a pensar nestes pequenos detalhes que decidi, enfim, enumerar o que já fiz e tenho realizado, nesta pausa/momento de auto-descoberta.

5 MESES DE RESTAURAÇÃO

Parecia destinado: no meu último dia de licenciatura, fiz companhia a um primo para que ele pudesse tratar da papelada para o seu trabalho de verão. Só lá estava de passagem, mas não foi que acabei por, também eu, conseguir uma entrevista e trabalhar, pela primeira vez, num restaurante italiano? Durou o tempo suficiente para que eu pudesse crescer, conhecer pessoas incríveis, valorizar o meu tempo, o meu dinheiro e ganhar experiência.

BARCELONA

Assim que comecei a trabalhar, juntei o útil ao agradável: tinha o dinheiro, amigos de Erasmus e, com planeamento, facilmente poderia viajar. O destino escolhido foi Barcelona, como puderam ler neste artigo e observar pelo meu instagram. Não sei que voltas deu à minha cabeça, mas foi naquele fim-de-semana que me permiti a bater o pé pelas minhas convicções e a tomar as rédeas das minhas escolhas, independentemente das influências exteriores.

3 SEMANAS DE VOLUNTARIADO

Há imenso tinha esta ideia em mente, e aproveitei o início de 2020 para a colocar em prática. Inscrevi-me na plataforma da Bolsa do Voluntariado, pesquisando por instituições do meu interesse. De 28 de janeiro a 18 de fevereiro, participei da Fruta Feia, uma organização que visa no combate ao desperdício alimentar. O objetivo era receber frutas e vegetais desprezados pelo seu aspeto nas superfícies comerciais, na montagem de cestos com esses mesmos alimentos e na venda por um preço simbólico. Os voluntários tinham direito a uma cesta com algumas frutas e vegetais, e eu achei a iniciativa muito adequada aos meus princípios. Devido ao COVID-19, nunca mais lá fui, contudo, assim que tudo se amenizar, pretendo regressar!

edifício do maat, cuja fachada reflete as zonas espelhadas e atingidas pela luz e sombras

ESTOU A APRENDER A CUIDAR DA MINHA SAÚDE MENTAL, ESPIRITUAL E FÍSICA

Nunca achei possível conseguir recolher tanta calma dentro de mim, aprendendo a refugiar-me nos meus e não, somente, nos braços dos demais. Não o digo em tom de desprezo, mas sim como reconhecimento da minha independência em relação ao apreço dos outros. A independência, toda ela com as suas características, é também poder optar pelos momentos em que decidimos partilhar as nossas dores, sem nunca antes as compreendermos intimamente.

Porque, ao final do dia, se não soubermos lidar com a nossa identidade, numa busca desenfreada pela aceitação dos demais, jamais estaremos em paz com a nossa própria existência. Aprendi a estar realmente sozinha, sem que isso me convidasse a bater com a cabeça nas paredes. Estou a aprender a escutar o meu corpo e as suas demonstrações de ansiedade. Já me vejo capaz de interpretar devidamente os diálogos da minha mente…

Por todos os momentos de solitude, sei que na presença dos que me rodeiam, não aceitarei menos do que eu me posso e entrego a mim mesma. Estou a aprender a amar-me num registo diário, seja pelas pazes que vou travando com a comida, seja pelas sessões de música ou dança. Permito-me a chorar, a ficar raivosa, a gargalhar ou a simplesmente ser feliz. Pois, nas ocasiões que se sucederem, serei mais eu mesma do que alguma vez fui. Não é isso bonito?

CRIEI UM PODCAST

Outro projeto do meu coração e que só me tem servido como terapia. É libertador poder dar voz aos pensamentos, questões e dúvidas que a escrita não pode compreender, por vezes… E saber que faço companhia a alguém, recebo feedback, sugestões… Tem sido incrível!

SOU MELHOR JARDINEIRA DO QUE ESTAVA À ESPERA

Sabem aqueles talentos que mantemos inconscientemente escondidos do mundo, e que se expressam nas ocasiões mais mundanas? Tomo por paixão às plantas este ganho de consciência em relação ao que sinto e ao que me rodeia, resultado das minhas meditações. Convivo com certas plantas cá em casa desde miúda, todavia, só muito recentemente, é que as tenho observado a crescer e a desenvolver… É que realmente as vejo a existir em comunicação comigo. De certo modo, ambas dependemos da existência uma da outra, tanto para as regas, quanto para que eu consiga reabastecer a minha tranquilidade. Revejo-me em cada uma das suas formas orgânicas, tal como não fico indiferente aos ensinamentos místicos da natureza.

O que é que fariam num gap year? ♥

  • Reply
    Sofia Costa Lima
    15 de Setembro, 2020 at 11:29

    Que bom que, mesmo num ano atípico mundialmente, o teu ano sabático te tem permitido ter tantas aprendizagens!

    • Reply
      Carolayne
      15 de Setembro, 2020 at 16:49

      Tem sido divertido contornar as dificuldades eheh 🍀

  • Reply
    Leonor Moura
    16 de Setembro, 2020 at 17:56

    Que aprendizagens e que momentos bonitos, por vezes é preciso parar, remar contra a maré, e fazer tudo diferente do suposto. Parabéns pela coragem e por não teres medo de arriscar, é assim que crescemos! E obrigada pelo voluntariado na Fruta Feia, frequentamos a de Almada e adoramoooooos! <3

    • Reply
      Carolayne
      17 de Setembro, 2020 at 8:54

      Omg, também és da Fruta Feia, que linda!! :’) Eu é que agradeço, mal posso esperar para lá poder regressar! \Õ/
      Muito obrigada pelas palavras, Nô! Muito, mesmo! ♥

O que pensas sobre o assunto? Gostaria de ler a tua opinião! ♥

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