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Negro como o breu, ultrapassando a cada dia

18 de Janeiro, 2018
Hoje, entrei na casa-de-banho às escuras, para cerrar os estores. Devem-se estar a questionar onde é que reside a maldade ou espanto, mas a verdade é que ainda tenho medo do escuro… Ou, pelo menos, do que é que poderá acontecer nas minhas costas, enquanto me tento habituar ao breu, ultrapassando-o. Não sei discernir em que ponto espaço-temporal é que isto se desenvolveu, mas existe algo de particularmente assustador no ato de fechar os olhos, quando temos a consciência de que não existe luz ao redor. Ter optado por não ligá-la, assim que me coloquei por debaixo do vão que me conectou à casa-de-banho, foi um pequeno detalhe que me fez concluir que, aos poucos, me estou a desembaraçar disto.
Há dias, em particular, em que o sono não desce devido a isso. Poderia chegar a ser vergonhoso partilhar esta informação, sabendo-me a chegar aos vinte… Honestamente, pouco me interessa se estivesse prestes a apagar cinquenta velas e, ainda assim, amedrontada pelas consequências que esse gesto acarretaria… Tenho receio do escuro, sim, ou pelo menos já tive mais. O segredo, acho, foi ter sido capaz de conviver com a minha própria existência, quando na altura carecia de um propósito… Já ultrapassei muitas coisas, mas acho que para esta, ainda terei muita poeira para retirar dos olhos e muitos corredores para abraçar na escuridão.
Sinto como se a miúda que fui ainda se agarrasse à minha cintura, de cada vez que a luz se vai, a meio da noite. Juro que faço de tudo para a acalmar, contando-lhe histórias, mas parece que lhe ando a passar as informações errada. Talvez deva mudar os meus métodos, fazê-la entender de que não se passa nada na escuridão, somente a nossa imaginação a brincar connosco. Talvez cheguemos a algum consenso, contudo, pelo sim e pelo não, farei para que continue a ser capaz de entrar num outro compartimento às escuras. Talvez assim, resulte melhor…
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    Daniela
    18 de Janeiro, 2018 at 23:36

    Não estás sozinha! Eu cá também gosto de acender tudo o que é luz e ter tudo controladinho. E sinceramente acho que é mesmo daquele tipo de medos que pode "atacar" em qualquer idade e pode-se aproveitar especialmente de épocas em que estejamos um pouco mais sensíveis. Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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    Joaninha
    19 de Janeiro, 2018 at 13:25

    Acho mesmo inspiradora e bonita a forma como encaras os teus medos e os teus defeitos – quando falas deles! -, embora, como dizes, ainda te protejas deste como se fosses uma menina de 6 aninhos, reconheces o medo dentro de ti e falas com ele, sendo que esta é uma forma muito adulta de lidares com ele. Mesmo bonito.De qualquer forma, parece-me que descobriste uma nova maneira de lidares com este receio – SUPER legítimo – e que, mais cedo ou mais tarde, vais dar por ti a entrar em quartos completamente escuros e a passeá-los sem que nada te incomode.Estava aqui a tentar partilhar um receio contigo, para que nos pudéssemos fundir nestas divagações, não tenho medo de alturas, nem do escuro, nem de foguetes, nem de aranhas, nem de andar sozinha na rua, mas, MORRO DE MEDO sempre que a minha irmã sai e eu não estou lá para a proteger, ATERRORIZA-ME a fragilidade que a Di possa ter sozinha, apesar de saber que ela está a crescer e que é a lei da vida!

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    Joana Sousa
    19 de Janeiro, 2018 at 15:45

    Não posso dizer que não te entendo. Suporto bem o escuro, mas há sempre uma ansiedade, uma adrenalina que me invade – deve ser algo que nos ficou dos nossos tempos nas cavernas. É normal ter medo do desconhecido! Mas saberes que não há nada para ter medo é meio caminho para o enfrentares. E, se isso te deixa melhor, eu ainda subo as escadas de casa dos meus pais a correr, a fugir do andar de baixo, quando a luz está apagada :p <a href=http://jiji.pt>Jiji</a>

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    Sofia Costa Lima
    27 de Janeiro, 2018 at 22:15

    Eu também não gosto do escuro! Às vezes levo o telemóvel com a lanterna ligada só para não ver tudo tão negro… Na casa onde estava em Lisboa não havia nenhum sítio onde eu pudesse acender a luz entre o meu quarto e a casa-de-banho (a uns 3 metros), mas havia uma porta para um corredor e eu ODIAVA quando deixavam a porta aberta porque via tudo super escuro lá e sei lá o que vem de lá! Às vezes acho que vejo demasiados episódios de Sobrenatural ahahahah

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    IMPERIUM
    31 de Janeiro, 2018 at 17:27

    Yeah, já não me sinto estranha, ahahah. Ainda assim, são coisas que podemos ir combatendo, sem stress! ?

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    IMPERIUM
    31 de Janeiro, 2018 at 17:29

    Tento encarar os medos e os defeitos como coisas naturais, daí os abordar com tanta beleza, como dizes. É importante dialogar com eles, torno-me mais eu de cada vez que o faço!E o teu medo é também legítimo! Vocês são sangue do mesmo sangue e aquilo que vos une está acima disso! Estivesse eu na tua situação e passaria pelo mesmo! ^^

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    IMPERIUM
    31 de Janeiro, 2018 at 17:30

    Ahahah, provavelmente era o que faria, se tivesse escadas para subir!! x)Mas obrigada pela força, Jiji! ?

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    IMPERIUM
    31 de Janeiro, 2018 at 17:31

    AHAHAHAHA, isso sou muito eu quando estou sentadinha na sala, no meio do escuro, e olho para o quarto à frente…. O pior são os volumes das roupas e assim, e que me suscitam muitos pensamentos! Enfim, eventualmente, isto há de passar! ?

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