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A ironia em pessoa e as desvantagens de o ser

7 de Novembro, 2016
O sarcasmo e a ironia habitam em mim como o dióxido de carbono que, intrinsecamente, troca de posição com o oxigénio, surgindo então a respiração. Por muito que me tente controlar, e embora não dispa dos meus textos esse tom, por vezes torna-se impossível controlar este instinto que se manifesta no lugar da veracidade com a qual quero conferir às minha frases. Sinto que muitas das vezes, as pessoas não me conseguem levar a sério devido a isso; o meu tom irónico-sarcástico vem ao de cima, mesmo quando mostro interesse num assunto ou sou sincera. De uma forma que não consigo compreender, parte de mim, aquele que talvez se mostre hesitante ou desinteressado, manifesta-se com maior intensidade do que esperado. Sei que quando lhe quero dar uso, ele encrava e deixa-me ficar mal, porém, quando sinto de verdade que alguém merece saber a minha opinião, acabo por ser mal interpretada. Talvez essa atitude provenha de uma impaciência que reconheço em mim e no tempo que sei que gastarei a raciocinar tal assunto, quando poderia estar, na realidade, a pensar noutras coisas. E também reconheço que talvez me sinta por vezes “agredida” quando constato que um indivíduo que não eu invadiu o meu espaço pessoal, com questões que pouco me importam.
Ao refletir acerca destas coisas, chego à conclusão de que eu já fui muito pior do que isto. Admito que tive aí uma fase em que respondia a torto e a direito a toda a gente, aprendendo mais tarde, que não vale a pena gastar o meu parlapier com quem não lido e não quero lidar. Se há outra coisa que também aprendi é que gosto de me meter exatamente com as pessoas de quem realmente gosto, logo, a probabilidade de ser irónica é ainda maior do que o esperado. De qualquer das formas, aceito que esta condição seja mais um mecanismo de proteção do que qualquer outra coisa. Não que o considere como uma verdade absoluta, uma condição de descreve perfeitamente aquilo que sou e como ajo em diversas ocasiões, no entanto, é sim uma proteção e um jogo racional que se faz para estabelecermos limites e os conhecermos ainda melhor. Poderá ser uma coisa boa, ou má, dependendo do olhar crítico de cada um, mas se há coisa da qual não prescindo é deste meu tom que, tanto me pode tornar numa pessoa séria, como me transformar na maior palhaça de todas.

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    Ju
    7 de Novembro, 2016 at 18:36

    nisto, somos gémeas 🙂

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      Carolayne R.
      7 de Novembro, 2016 at 20:46

      Ahahah tão bom saber que não sou a única sofrer deste mal!! 😮

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    R
    7 de Novembro, 2016 at 19:09

    Sou muito dada a ironias e sarcasmos também. Faz parte de mim e mesmo que queira evitar pronunciar-me desse modo muitas vezes sai-me sem que eu dê por isso. A verdade é que já tive pessoas que não me conheciam e quando fui sarcástica pela primeira vez com elas , elas levaram a sério.
    Concordo contigo no que dizes sobre a paciência. Talvez tudo isto surja por falta de paciência ou por achar que não me compreende , mas acho que é mais pela primeira.

    • Reply
      Carolayne R.
      7 de Novembro, 2016 at 20:49

      É um exercício saber controlar este nosso modo de ser, mas de vez em quando não tem mal deixá-lo escapar! 😉

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    Vanessa
    9 de Novembro, 2016 at 14:22

    Já fui mais dada a ironias e antes toda a gente se ria comigo, menos aqueles que não me conheciam e me levavam a mal. Hoje em dia só os meus grandes amigos é que têm isso de mim, porque não me vale a pena perder tempo com quem não merece e responder torto a alguém para depois ainda ter de o aturar mais tempo e enervar-me? Não merece o meu tempo e paciência.
    É um escudo que temos, isso é verdade, mas que é um escudo à maneira, lá isso é! 😀

    let's do nothing today

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    Tim
    11 de Novembro, 2016 at 13:29

    Este mundo precisa de mais pessoas como tu, sinceras

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