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DOCUMENTÁRIOS | “THE SOCIAL DILEMMA”

23 de Setembro, 2020

Não queria ser mais uma no leque de opiniões que por aí circulam pela internet. Porém, isso seria afirmar, de um modo ou de outro, a minha indiferença e que não corresponde com a realidade. Senti-me assustada, no entanto, convenhamos de que as informações aqui presentes já não nos eram, de todo, desconhecidas.

“The Social Dilemma” reúne um conjunto de pessoas que já estiveram de algum modo associadas na conceção de redes sociais, relatando as suas confissões em relação aos métodos manipuladores deste mercado imperial. Desde o reconhecimento da toxicidade do mesmo, até às mudanças que deveriam ser aplicadas no modo como os algoritmos funcionam, trata-se de um documentário dramático que me deixou arrepiada.

E um tanto tentada a, finalmente, tomar uma posição drástica em relação às redes sociais.

Já as consumi muito mais. Contudo, ainda tenho um longo caminho para percorrer, se as quiser, efetivamente, abolir na minha vida. É agoniante pensar em todas as estratégias diabólicas que este mercado adota, somente para conseguir a nossa atenção. Mais assustador ainda é observar a repercussão das mesmas na nossa sociedade, e no modo como esta se divide em diversos polos, devido às diferenças num único feed – e que não são poucas! -.

Enquanto humanidade, há imenso que rebentámos pelas costuras, atingindo um limite imensurável do ponto de vista da compreensão. Existem ações e tomadas de decisão que não se justificam, agravando-se no palco que é o digital fora de regras. Todavia, é nestas ocasiões que, por norma, surgem as soluções mais práticas e benéficas para toda uma camada generalizada. Se as teremos em mãos de momento? Duvido, mas escolho acreditar que, em breve, assim o será.

Caso contrário, continuará a ser necessário refletir no impacto que as nossas e as partilhas dos demais reverberam na nossa saúde mental.

Apesar de positivo, pelo facto de nos permitir estabelecer contacto com os demais, expandir horizontes, empreender com mais segurança, as redes conseguem roubar-nos a capacidade de aplicar o livre-arbítrio. Quero com isto dizer que, influenciados pela ideia errónea de sucesso, muitas das vezes estabelecemos estratégias pessoais que fogem da nossa essência, apenas para que, também nós, possamos receber alguma validação. Para além de indelicado, reforça a mensagem presente no documentário: a de não passarmos de um mero produto.

Ao final do dia, portanto, perante estes factos, o que é que vamos preferir ser?

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