BOX-OFFICE \\ CONTAGION (2011)

Agora, a questão que me assombra é: quanto tempo é que nos resta até que uma outra obra utópica da ficção, sendo ela de que área das artes for, se converta na nossa realidade e nos retire o que de melhor temos nas nossas vidas e que nos custou a conquistar? Porque do mesmo modo que estávamos a nove anos desta produção cinematográfica – ou ela de nós? -, talvez antes de Dezembro de 2019, jamais nos passaria pela cabeça ter de ficar em quarentena devido a um vírus desconhecido e que, de modo discreto, se espalha pelo mundo fora, muito em parte, devido à irresponsabilidade daqueles que não sabem, ou fingem não querer compreender, a necessidade do isolamento pessoal por um bem coletivo.

FONTE: POSTER SPY

Eu sei que neste momento das nossas vidas, tudo o que incite ao pânico deve ser evitado, mas não consegui resistir à aclamação dos últimos tempos em relação a este filme. Não posso negar o quão aterrorizada fiquei devido às parecenças desta ficção que se converteu numa realidade tão palpável e tão próxima, bastando que nos descuidemos. Fiquei-me a questionar até que ponto é que a realidade não se baseia na ficção para existir, sendo do conhecimento comum que é o inverso que se sucede, na maior parte das vezes.

Sempre tomámos por garantido o facto da ficção se sustentar em factos verídicos, utilizando linguagens sarcásticas, dramáticas, com recurso a uma necessidade de satirizar o que é reproduzido, mas este filme, já com nove anos de existência, levou-me a reformular as minhas crenças e alertou-me para a atenção que eu deveria dedicar mais aos livros que leio, aos filmes que vejo, às pessoas com quem me dou, pois, qualquer gesto poderá servir como um aviso para uma sucessão de eventos no futuro.

Enquanto sociedade, atingimos um ponto de rutura onde já não nos é possível distinguir a ficção da realidade, pois, nada nos garante uma proteção em relação aos acontecimentos retratados nos filmes, como por exemplo, e fazendo alusão a uma cena que me sensibilizou bastante, a abertura de valas para que ali se depositassem o aglomerado de corpos outrora vivos e infetados, dado que já não representava uma urgência ter o cuidado de dar prioridade ao processo de enterro tradicional, visto que haviam mais corpos a sucumbir do que propriamente tempo para os contabilizar e identificar.

Uns dias mais e, no nosso 2020, veremos através das notícias que os diferentes governos tiveram de tomar esta mesma decisão… O filme, para os tempos que correm, torna-se numa espécie de guia para as coisas que devemos fazer, se quisermos resistir ao COVID-19 e aniquilá-lo pelo mundo fora. Um simples aperto de mão, um abraço, um beijinho, enfim, levar o nosso quotidiano de modo ignorante é meio caminho andado para que o vírus se instale e faça das suas… E se queremos, genuinamente, tornar a viver livremente e sem preocupações, há sacrifícios e cuidados que devem ser postos em prática, amenizando os tempos difíceis que temos vindo a percorrer.

Conheciam este filme? Já o viram? ♥

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