BOX-OFFICE \\ “PARASITE” (2019)

Se não estou em erro, eram meados de Setembro. Estava a caminhar pela plataforma do metro quando, pela minha visão periférica, o cartaz deste filme me chamou à atenção. Não foi muito pelo título, mas sim pelo elenco sul-coreano que, como um todo, nunca me desiludiu neste tipo de arte. No que toca ao consumo de cinema estrangeiro e “fora de portas”, nunca apresentei resistências, aliás, acho até interessante este acesso multi-cultural que nos é permitido, tendo em conta a realidade de muitas culturas que nos são mais próximas do que julgamos.

FONTE: POSTER SPY

Entre estar, ou não, disponível nos sites de torrent, levei o meu tempo até o poder assistir. Foi agora em Janeiro, na companhia de uma amiga. “Parasite” é uma obra inteligente, sarcástica e bem direcionada, que utiliza argumentos que nos são fáceis de aceder, contudo, cuja interpretação poderá ser dual e variar de acordo com o nosso histórico de vida. Há que apurar muito do nosso sentido de empatia para o compreender, embora seja mais simples do que se pareça. Cavando até ao cerne da questão, “Parasite” consegue despoletar-nos um conjunto de emoções que diariamente deixamos de lado, exeto quando somos desafiados a acede-los para nos posicionarmos acerca de um determinado assunto.

Saltitando por diversos géneros temáticos, este filme é execional por conseguir combiná-los sem que eles se confundam e, acima de tudo, por contar uma história tão simples de modo tão profundo, recorrendo ao uso de detalhes que mudam completamente o rumo da mesma. Não passa, então, da representação de duas famílias muito divergentes pelas suas posses e que convergem num único espaço: uma casa espaçosa, luminosa, de aspeto luxuoso e bem conseguida, de um falecido arquiteto e antigo patrão da governanta que nos é apresentada nas primeiras cenas e cuja importância na trama é de fazer cair o queixo.

Surge uma proposta para um dos membros da família mais pobre e isso desencadeia, por assim dizer, uma invasão discreta e planeada nessa casa e que se transforma numa perfeita analogia do que decorre pelo mundo fora, desde os conflitos internos de cada uma das personagens, como pelo tratamento dentro de uma hierarquia social e que diz muito do carácter de cada um! Numa tentativa de melhorar a sua situação financeira, a família de Ki-taek mostra-se habilidosa, parceira e empenhada em conseguir confraternizar com a família Park e, o que parece ser um ato de desespero – o que no fundo é -, vai descarrilando e descarrilando sem mostras de cessar, causando até um certo desconforto no espectador e, acima de tudo, muita ansiedade!

Os atores estão impecáveis nos seus papéis, a fotografia é de deixar qualquer um a babar, a trilha combina bastante bem com os momentos e os planos estão muito bem coordenados! Este é daqueles filmes que se nos entranha no espírito e nos vicia de tal modo, que facilmente o repetiríamos vezes e vezes sem conta, com o intuito de o estudar e analisar, com mais profundidade e gosto! É perfeito para servir de exemplo no âmbito de discussões de carácter sociológico e com o qual poderemos aprender o que não fazer e como agir de modo a não chegar a determinado ponto! Se nunca ouviram falar de “Parasite”, ou se, pelo contrário, já e ainda não o viram, não percam a oportunidade!

Já o viram? Como foi a vossa experiência com “Parasite”? ♥

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