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MOVIE 36 O QUE VI EM JULHO

30 de Julho, 2018
Férias são sempre boas e necessárias para colocarmos a vida em dia. Estava deveras ansiosa pelo momento em que me pudesse sentar no sofá, na cama, onde quer que me fosse possível, para atualizar o meu consumo cinematográfico. No dia em que escrevo isto, ainda só tenho três filmes para a lista de Julho e, tendo em conta que vou de férias, duvido muito que tenha alguma oportunidade para assistir a mais algum. De qualquer das maneiras, de tal acontecer, incluirei na lista de Agosto!
Se eu for a resumir, os filmes que vi são todos muito parecidos num aspeto: a atmosfera agoniante, suspensa e que nos tira o fôlego, só de pensar. Desde a produção mais sangrenta, a outras que requerem um pouco de calma para não saltarmos para cima da televisão aos berros, a edição do sétimo mês é perfeita para aqueles que apreciam uma boa pitada de temas ligados aos distúrbios humanos e a justificação que tentam encontrar para tal.
“1922” (2017) demonstra que todos os atos acarretam consequências, independentemente do nosso objetivo. Na maior parte das vezes, agimos em conformidade com os nossos desejos, mesmo que parte de nós faça por acreditar na possibilidade de escolhermos pelos e para os outros. Por muito que a ganância nos sussurre ao ouvido, há sempre maneira de optarmos por outros trilhos. Não há nada que justifique o nosso orgulho, quando desconfiamos de que poderemos vir a ser perseguidos pelo que resta do nosso arrependimento – que nada mais é do que uma maneira de ainda reconhecermos o nosso lado humano, não obstante as nossas ações -. É um filme de horror pelas cenas mais agressivas; drama pelos momentos de reflexão; crime e sobrenatural!
“Berlin Syndrome” (2017) há muito que estava guardado. Coloquei os pontos nos is e lá me lancei a este filme, sem medos. Achei-o demasiado agoniante para a minha compreensão. Dá um certo medo pensar que este género de situações acontece e que por muito custoso, a culpa pode sim ser dividida. I mean, quem viaja sozinho sabe que tem de ter um certo cuidado com as coisas que faz, diz e demonstra, pois, nunca se sabe com quem é que estamos a falar. Claro que isso não deve ser uma regra a ser seguida a duzentos, pois, fecharmo-nos também não é a solução!
O que quero dizer é que existem situações que nós podemos evitar, sim!, e que todo o cuidado é pouco… Porém, nenhum de nós tem culpa pelos distúrbios daqueles que cometem crimes, raptam e violam, apesar de toda esta estrutura ter um porquê de ser assim. A tensão deste filme foi muito bem construída e o drama bem medido. Houve alturas em que a personagem da vítima poderia ter arquitetado um pouco melhor a sua fuga, mas julgo que faz parte de todo o seu amadurecimento. Aconselho mesmo muito!
“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri” (2017) é um drama que mescla com a investigação. Uma mãe que, estrategicamente decide fazer justiça pelas próprias mãos, leva-nos a pensar até que ponto (ou como) é que nos impormos pode abalar toda uma estrutura social “bem” organizada, provocando um efeito dominó nas mentes de cada um. Os outros, claramente que se sentem no direito de carregar as dores do “culpado que não é assim tão culpado”, como se se tratasse de uma verdade única, rebelando-se desnecessariamente.
Este filme trata as injustiças sociais; o desinteresse pela vítima de uma violação e homicídio; reflete a estúpida protagonização de assuntos com pouco ou nenhuma importância, quando existem espalhadas por aí, famílias que ainda choram a morte dos seus e que só cessarão quando os autores dos crimes forem apanhados. Apesar de ter terminado com uma sinuosa sugestão de continuação, “Three Billboards Outside Ebbing, Missouri” mereceu toda a atenção que teve na altura da estreia e, certamente, continuará a merecer!

Já viram algum destes filmes? Como foi o vosso mês em termos de cinema?
Publicação inserida no projeto #MOVIE36. A criadora, Carolayne Ramos, do blogue “IMPERIUM“. A parceira oficial, Sofia Costa Lima, do blogue “A Sofia World“. As participantes: Joana Sousa, “Jiji” | Cherry, “Life of Cherry” | Sónia Pinto, “By The Library” | Abby, “Simplicity” | Sofia, “Ensaio Sobre o Desassossego