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quarta-feira, 20 de junho de 2018

20 de Junho, 2018

aconteceu…

Algo em mim quis que eu parasse, que me calasse e recuasse um pouco com as minhas atitudes. Algo que não sei descrever, uma presença estrangeira e que se instalou em cada canto existente em mim, sussurrando de quando em vez esta necessidade de me entregar nos braços de outros afazeres. Talvez seja o cansaço a falar mais alto, a ansiedade a rasgar-me por dentro, a vontade de largar tudo e me refugiar no nada… Não me interpretem mal por há dias ter desabafado que só aqui viria em Agosto, quando ainda nos encontramos em Junho… Não procuro compreensão, nem tão pouco palavras bonitas e de apoio. 
Anseio apenas me libertar deste choque que me passeia de um lado ao outro da casa, os pés descalços e em puro contacto com os mosaicos frescos – enquanto podem e aguardam pelo calor do dia -. Eram meia-noite e pouco do dia de ontem, quando após repousar do banho, arrumar a secretária e me enfiar na cama, amarrei num novo livro, percorri algumas páginas e pausei a viagem, mudando de rumo. Algures na mesinha de cabeceira, pendia o meu caderno de escrita. Trocando de olhares comigo, ele me convenceu em pescá-lo dali, dar-lhe uma vista de olhos e me aperceber quase com falta de folhas. Reli o que lá tinha vomitado noutras ocasiões e, numa rápida análise, busquei o computador, voltei a ligá-lo e alterei umas quantas coisas num documento que aguarda sempre por mim…
Faço por evitar escrever nos momentos inoportunos, pois, é-me certo e sabido que nesse “ocasionalmente” acabarei por deixar as responsabilidades de lado e mergulhar somente noutras tarefas. Ultimamente, tem sido assim. Ou executo os trabalhos da faculdade a partir das dez da manhã para que às dez da noite fique despachada naquele dia, ou então não sei o que mais fazer, visto ter vindo viver na pele da personagem de uma trama só e que acabou de ser descrita. Hoje, diferente das últimas semanas, estou sem vontade de me entregar… Abri o programa onde tenho orientado o meu projeto, mas ele ali continua aberto, sem qualquer alteração. Preferi antes limpar os e-mails, colocar jazz e beber chá. Preferi continuar a ver os meus vídeos no Youtube, deambular pelo Instagram e dar uma vista de olhos da agenda… E ainda são uma da tarde. 
Este quotidiano meio parado também não me tem servido de muito para absorver vivências. Não tenho saído, não tenho debatido com os amigos – exetuando no Domingo, quando falei com a Nobel acerca de uma temática que me é tão próxima! -, e a coisa mais irresponsável que fiz prende-se com o dia de hoje. Porque sim, este meu cansaço não tinha o direito de me querer afastar dos meus compromissos, embora também não o possa culpar por se querer ir embora e tal depender da minha preferência em manter acesa a vontade de despachar tudo, ou optar por desligar num dia que seja… Por faltar tão pouco é que me tenho alimentado da confusão de espírito que se instalou em mim.
Não quebrei com a minha palavra. Apenas respeitei o chamamento do meu corpo e aqui estou, a desabafar uma vez mais. Julguei que fosse ser fácil. Não que tenha vindo a ser difícil, no entanto, não posso – nem devo! – negar o esforço que é termos de nos dedicar de corpo e alma às nossas escolhas. Cumprirei com aquilo que disse, referente ao regresso em Agosto. Entretanto, nada me impede de vir a ter estas quebras físicas e emocionais, necessitando de despejar umas quantas coisas. E, quando tal se suceder, podem crer que me refugiarei por aqui. Nesta minha outra conceção de casa.

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