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DEAR 20'S…

9 de Junho, 2018
Tinha eu dezoito quando aprendi a fazer a espargata. Aos dezanove, aprendi a ser mais flexível mentalmente. Das duas, jamais julguei que fosse possível chegar a ambas, ainda para mais prestes a fazer os vinte. Este ano foi tão confuso, tão doido que, agora que olho para trás, apercebo-me do quão espremidas foram as situações e as circunstâncias temporais em que estavam inseridas. Sei que é comum a todos: ninguém, ou quase ninguém, está a fazer ou faz o que gostaria, com a idade atual. Na realidade, muita coisa mudou, nós mudámos, tal como tudo o resto.

Aos treze, por exemplo, eu me imaginava a tirar Medicina. Aos vinte, estou a caminho do terceiro ano de Arquitetura. É tudo tão relativo! Quando adolescente, julguei que já teria encontrado o amor da minha vida, porém, até agora, só colhi desilusões às quais poderia dedicar horas, só a falar delas. Vivi na esperança de trocar beijos com alguém especial e, no entanto, nunca beijei sequer. Quanto aos amigos, uns se mantêm. Outro surgem de surpresa… E há quem tenha vindo a regressar. No seio familiar, está tudo diferente, mas só assim é que se vai aprendendo.
Quanto a mim… Está tudo bem. Avaliando com um sentido crítico, reconhenço de que está tudo bem. Poderia estar melhor, mas a minha situação é favorável. Tenho os meus por perto, a faculdade já se me apresentou momentos piores… Estou ansiosa para o que aí vem e tenho vindo a aprender a gostar de viver enquanto adulta. Chego aos vinte um tanto exausta. Não da vida, mas física e psicologicamente. Só quero poder relaxar e convencer-me de que está a valer a pena todo o esforço, todas as lágrimas e toda a descontração de que me é possível gozar. Para os vingar – aos vinte! -, desejo apenas foco para não me perder pelo caminho. Anseio que seja desta que as minhas limitações fiquem para trás, permitindo-me avançar.

Houve dias em que chorei tanto, que parte de mim acreditou que aquelas sessões nunca mais cessariam. Quanto mais refletia na possibilidade de estar a secar o saco lacrimal, mais motivos eu tinha para me libertar dos ataques de pânico e nervosismo, das desilusões académicas, de tudo. Porém, sorri de igual modo. Fiz piadas. Saí mais vezes durante a noite. Cheguei a casa a altas da madrugada. Apanhei a minha primeira bebedeira. Apaixonei-me imenso. Deixei, de certa forma, de acreditar no amor que tanto nos esfregam na cara. Cresci, amadureci, falhei das muitas vezes em que tentei. Mas também saí vencedora! Li para afagar o stress, escrevi para me reencontrar. Dei muitos abraços e recebi de igual modo. Fui-me abaixo como a luz, de maneira inesperada, mas rapidamente uma chama veio ao meu socorro. Perante todas as desavenças, descobri-me forte, capaz e serena. E com alguma sanidade, também!

Já conquistei muito até aqui. Mas é que muito mesmo! Contudo, sei que posso mais. Sinto-me imensamente grata por cada derrota, pois, só assim é que aprendi a valorizar, e isso é importante! Este ano, não teremos publicações com lições que aprendi aos dezanove. Este ano, não teremos publicações especiais. Para além deste pequeno desabafo, não haverá mais de “simbólico” em relação ao meu aniversário. Talvez no futuro, prepare umas quantas publicações com certas coisas em específico e que me marcaram, mas só depois. Hoje, por ora, quero que esta publicação reflita tudo aquilo que tenho vindo a sentir: simplicidade, uma certa calma e paciência para o que aí vem.

Obrigada a quem sempre esteve por aqui, ao meu lado. Obrigada a quem agora aqui está.
E, para mim, Muitos Parabéns! ♥