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#BEAUTYBEYONDSIZE \ O poder que uma peça de roupa tem na nossa vida

17 de Agosto, 2017
Hoje, mais do que nos outros dias, andei em roda das roupas, em busca de peças que combinassem não só com as evoluções que vou sofrendo diariamente, mas principalmente que me fizessem sentir bem na pele que me cobre hoje, a dezassete de Agosto de dois mil e dezassete. Não foi a primeira vez que isto me aconteceu, afinal, é super normal eu acordar, observar o guarda-roupa e sentir-me frustrada pelo facto de possuir peças com as quais já não me identifique, contudo, hoje foi diferente: dei por mim a cogitar no quão importante é que um conjunto nos pode influenciar na maneira de pensar e, acima de tudo, de nos auto encararmos.
Durante muitos anos, o meu estilo era muito simples: baseava-me em peças de carácter mais masculino, os tecidos mais largos do que o normal, apenas porque queria esconder as gordurinhas que me incomodavam em demasia na altura. No meu pensar, se eu ousasse sequer investir numa peça mais feminina e, com o passar dos anos, mais adulta, era como se as pessoas cá de fora me encarassem de semblante desconfiado, cochichando entre si “O que é que aquela gorda pensa que está a fazer, vestindo-se assim, como nós?” – pois, já me aconteceu pensar assim. Para mim, combinar roupas bonitas e elegantes era o mesmo que desafiar a humanidade, as pessoas mais magras do que eu, as modelos que pousavam para as marcas, só porque sempre tive peso a mais. 
Se no passado eu encarava a moda como maneira de disfarçar as minhas inseguranças, hoje sei que também o posso fazer, mas de maneira mais elegante e a condizer com a minha cara. Só porque somos mais cheiinhos do que o resto da humanidade, não quer dizer que tenhamos de perder o nosso brilho e a nossa beleza, em prol de ideias que se propagam por aí, de que só os “afortunados” fisicamente se podem “exceder” em termos de estilo. As roupas das quais eu fazia uso refletiam ainda mais insegurança do que propriamente aquilo que eu carregava no peito. Na altura funcionava, eu sentia que tudo aquilo me protegia do mundo, das ofensas, das gozações, mas eu sei e acredito que sair à rua como eu saía, apenas despoletava uma reação defensiva e ofensiva nas pessoas, o que de certeza as fazia proferir coisas que ninguém merece ouvir. 
Há medida que eu fui crescendo, moldando a minha cabeça, observando as vivências dos outros com outros olhos, estudando e investindo o meu tempo na pesquisa de coisas que me servissem que nem uma luva, foi-me muito mais fácil de entender que eu posso SIM me sentir bonita, confiante, charmosa, dentro de um conjunto de roupa mais feminino, mais de acordo com o meu tipo de corpo, tendo peso a mais. Se eu me foco nisso, sem sequer trabalhar pela saúde? Não, afirmo aqui que ando a trabalhar para obter saúde, o corpo que sei que deverá equivaler com os valores de gordura e massa magra que devo ter, porventura, estar nesse processo  já não me impede, nem provoca em mim a vontade de esperar pelo “tempo certo” para comprar uma peça de roupa que chame pelo meu lado mais vaidoso. 

BEAUTYBEYONDSIZE

Esta publicação insere-se no projeto #BEAUTYBEYONDSIZE, trazido à blogosfera pela Sónia Rodrigues Pinto, do She Writes.