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O relato de uma condutora amadora, PT. I

3 de Maio, 2017
lá se vão dois meses, mais ainda só tive nove aulas práticas. Quanto ao código, penso que esteja minimamente bem, talvez não tão preparada para me lançar ao exame, mas ainda assim mais instruída em comparação com a primeira vez em que pisei aquela escola. Se ainda não se situaram, comecemos pelo início: estou a tirar a carta, mas também só dei a conhecer esta facto, umas semanas após ter começado com o código. Queria certificar-me de que estava a acontecer, que finalmente poderia vir a riscar esse objetivo da minha lista. Nunca vos contei, e penso que poucas pessoas o saibam, mas em tempos eu tinha pesadelos com carros, principalmente quando ia eu ao volante. Eram sonhos baseados numa experiência nula, visto que só este ano é que peguei num carro a sério, logo, o pânico era mais que real. Alimentava em mim aquele pavor de nunca vir a sair do sítio, assim que estivesse prestes a conduzir, e quando o fiz, ainda sem estar inscrita na escola, julguei que não, eu não havia nascido para tal.
O tempo passou, tive a oportunidade de me inscrever este ano, as aulas de código começaram por ser grego, mas o tempo foi-me traduzindo as informações com muita calma e paciência. Depois de conhecer as normas para que pudesse passar à condução, o pavor transformou-se em ansiedade, mas daquelas saudáveis, que nos electrizam de cima a baixo, que nos transformam numa autêntica pilha duracel. Chegou o dia. Digamos que eu era uma autêntica banana – e ainda mo considero como tal, visto que tive pouquíssimas aulas para um período de dois meses -, mas a bananada que me caracterizava na altura já não é a mesma: se hoje dou para lerda, é mesmo porque de certa forma ainda tenho medo de certas manobras, ao mesmo tempo em que confundo as informações que me chegam, o normal, portanto. Se de início, partilhar a atenção da estrada com os espelhos era impensável, hoje até já consigo acompanhar o trajeto de um peão que esteja na berma do sentido contrário, e focar-me sem problemas. Não que o faça regularmente, mesmo para quem já tem anos disto, a distração é uma das causas dos acidentes, contudo, este exemplo serve, somente, para conseguir comparar o meu à vontade para com o carro. 

É fascinante ter aquele poder, aquela oportunidade de “passear” pelas ruas da cidade; aperfeiçoar as curvas; panicar com as rotundas, enquanto o instrutor pega no volante connosco, e nos explica que temos de ter calma; ultrapassar minimamente a velocidade e escutar “Qual é que é o limite aqui?”, e nós reconhecermos de que errámos e reparar o erro… Apesar dos pesadelos, dos medos, no fundo sempre soube que conduzir haveria de ser algo que eu passaria a gostar de fazer, para mais que não seja devido à liberdade que nos abraça, o vento a entrar pelas janelas, o reconhecimento que fazemos no motor, este que pede por uma mudança nova… Ainda me atrapalho com coisas mínimas, mas acredito que com a prática, o tempo e a paciência, para não falar também do meu instrutor que é cinco estrelas, mais dia, menos dia, hei de estar por aí de sorriso no rosto, com a carta na mão e a adrenalina de me tornar independente no ato de conduzir. Levou o seu tempo, mas está a valer totalmente a pena.

Já têm a carta? Como é que foi a vossa experiência?