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BLOG RELATED "Descobriram o meu blogue, e agora?"

6 de Novembro, 2016
Nunca gostei de mostrar os meus trabalhos a pessoas próximas, sejam eles textos, desenhos ou pinturas. Talvez pelo facto de após uma análise pessoal, nunca me ter reconhecido em tais feitos, a verdade é que na minha cabeça, a sua reação seria bastante exagerada. Não sei, reconheço que seja tímida o suficiente para querer esconder aquilo que faço e reservá-lo apenas para mim e para aqueles que não me são assim tão próximos. Muito provavelmente, neste momento, vocês não estejam a compreender a cem porcento este meu raciocínio, mas agradeço o esforço. Criei o blogue no verão antes de entrar no 12º. Confesso que ao início, um terror de ser descoberta pelos meus colegas apoderou-se de mim de tal maneira, que eu pensei realmente umas quinhentas vezes antes de avançar com o processo de criação. Lá me convenci a mim mesma – como bem podem perceber – e ainda aqui estou, a fazer o melhor que posso. Os colegas e amigos foram descobrindo, se interrogando, a curiosidade de saber mais novidades ali a acompanhar-me no dia a dia. Eu já me estava a habituar a questões do tipo “Então, isso é para o blogue?” de todas as vezes em que posicionava o telemóvel para uma fotografia em especial. Foram nove meses a partilhar, a debater e a desencantar ideias no meio de conversas; contudo, nunca parei para pensar como seria no futuro, na convivência com outro tipo de indivíduos… Acontece que entrei na universidade e, de súbito, a ideia de ter de partilhar este meu segredo com um novo grupo atravessou-me a mente umas diversas vezes, porém, decidi esperar pelo tempo certo para dizer às pessoas com as quais me tornasse mais íntima que eu sou blogger…. Mas o tempo certo não existe, e as coisas quando têm de acontecer, simplesmente acontecem.
Da minha turma, alguns já sabem que escrevo. Se antes do sucedido eu receava a minha própria reação, quando realmente aconteceu, recordo-me de ter sorrido perante o seu entusiasmo. “Oh, tu tens o blogue?” – questionaram-me, a incredulidade estampada no olhar da pessoa, após ter lido a dedicatória do livro da Sofia e que, curiosamente, estava comigo naquele dia. Muitas cabeças se viraram para aquela questão, e a mim, só me restou acenar e afirmar com o maior orgulho “Sim, eu escrevo!”. Uma folha A3 dobrada ao meio veio ao meu encontro e quando dei por mim, o endereço do blogue já lá estava, aberto para uma possível visita… Um outro caso passou-se quando um dos meus colegas confessou que gostava de ler as minhas legendas para os trabalhos de Projeto e, por iniciativa própria, mas sempre com alguma discrição, apontei numa das suas folhas o nome do blogue e convidei-o a ler aquilo que escrevo nos tempos livres. Dias depois, à porta do bloco, debatíamos acerca desta minha inclinação e do facto de como é que em 1 ano, duzentas e tal publicações saíram de mim. Após uma reflexão, até eu me senti maravilhada.
Tudo isto para dizer que é normal. É normal afligirmo-nos com a reação dos outros perante algo que gostamos realmente de fazer, com aquele medo de sermos julgados, mas sempre conscientes de que jamais desistiremos das nossas batalhas. De certa forma, foi libertador ter partilhado com pessoas que conheço há tão pouco tempo, algo que me distrai e me consola como escrever. Sinto que lhes dei a conhecer parte de uma matéria que jamais eu seria capaz de entregar apenas na conversa. Sei perfeitamente como sou, ao ponto de querer disfarçar certas e boas coisas num convívio, apenas para reservar a bondade que sei que quererei partilhar mais tarde. De qualquer das formas, mais cedo ou mais tarde, isto teria de acontecer. A minha sorte é que foi de maneira leve, descontraída e sem muitas outras questões nos dias seguintes. Pese embora o mistério com que me caracterizam, a questão do “E agora?” permanecerá sempre… E quando mais episódios caricatos deste género se sucederem, podem crer que estarei cá para os partilhar convosco!