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SOCIEDADE \ Corpos e mass media

24 de Maio, 2016
Já pararam para pensar na quantidade de problemas que poderiam vir a diminuir se os media modificassem a sua maneira de trazer ao mundo a abordagem dos corpos humanos? Talvez esteja a levar o assunto de uma forma bastante utópica, mas a verdade é que hoje dei por mim a pensar na influência que uma capa de revista pode exercer numa pessoa que tenha o espírito um pouco virado do avesso. Aqui não existem os influenciáveis e os influenciados. Penso que todos nós acabamos por ceder, mesmo que por meros segundos, à tentação de desejarmos uma parte daquele corpo no nosso corpo… E recordo-me, precisamente, do vídeo que assisti no blogue da Jiji, numa publicação onde ela abordou a falta de auto estima por parte dos homens, pessoas que também são vítimas desse mal. 
Hoje em dia, os meios de comunicação têm um poder extraordinário nas mãos. Basta que publiquem qualquer coisa que vá ao encontro de um desejo, que meia dúzia de pessoas acredita, adere ou comete loucuras tendo isso como base… E, a meu ver, de um olhar que já se deixou rebaixar pelo tanto que já viu, isso é um absurdo. Não só certas coisas que ganham a atenção do público, como também a forma chamativa com que ele é influenciado. E pudera muita gente saber que aquele corpo brilhante, liso, sem qualquer imperfeição sofre de uma maneira ilusória através do photoshop. Menos cinco centímetros de cintura aqui, um pouco mais de massa ali no peito, porque não umas pernocas musculadas também? Tudo alterações que, impossíveis de se realizarem com a simples prática de uma alimentação saudável feature exercício físico, obrigam à recorrência de cirurgias que, por sorte ou não, funcionam com sucesso. Mas porquê tanta mudança? Será pelo dinheiro, ou por outra coisa qualquer? – eis as perguntas para as quais não tenho uma resposta bem fundamentada para vos dar.
Este assunto é o que mais me perturba no dia a dia. Eu sou muito observadora, gosto de captar detalhes que de certa maneira me podem ajudar num futuro próximo, mas se há coisa que eu nunca compreenderei é isto, esta reviravolta que nunca mais chega e que poderá ajudar o público, parte dele a sofrer de doenças alimentares e depressivas em prol de um modelo corporal que não existe. Existe sim a saúde, essa que importa para que tudo em nós possa funcionar, mas será que interessa a essas pessoas? Nós temos o direito de vivermos livres de nós mesmos e não daquilo que a sociedade nos “manda” fazer… E sendo os media quase o centro de muitas informações que passam e repassam entre nós, seria assim tão doloroso sentarem-se tranquilamente e debaterem este assunto? Eu acredito que muitos já tenham tentado isso, mas custaria à esmagadora maioria dos mecenas da moda, fotografia, meios de comunicação, etc., ponderar em deixarem de fora esses retoques no corpo de um modelo e descortinar a sua própria realidade enquanto um ser humano, com as suas imperfeições?
Há coisa de sete meses, a Zendaya publicou no seu instagram uma foto que me fez observá-la por trinta minutos, antes de fazer qualquer tipo de acento negativo para com o telemóvel. Juntando aos retoques que já vi serem feitos no programa do America’s Next Top Model, e com esse vídeo do BuzzFeed, recordar-me desta publicação (entre muitas outras manifestações por parte dos modelos) dá-me ainda mais razões para defender que os meios de comunicação e os mecenas que os financiam deveriam unir-se e apoiar não só a moda plus size (essa que também tem o que se lhe diga), como essencialmente abandonar aquela ideia de que uma pessoa só será bonita e feliz se for magra (quase de um modo esquelético), musculado (quase a rebentar pelas costuras) e tão brilhante como a chapa de um carro acabado de polir