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A palestra que me fez pensar

26 de Fevereiro, 2016
Hoje foi dia de assistirmos a uma espécie de palestra. Um senhor que trabalha no meio do empreendedorismo foi convidado pela associação de estudantes da minha escola para nos ajudar acerca desse assunto e, embora tenha torcido o nariz ao início, a verdade é que acabei por gostar da atividade. Houve uma apresentação acerca daquilo que se ia falar, escolhemos um tema para debater e a conclusão a que eu cheguei depois de abandonar o auditório foi que nós vivemos numa sociedade demasiado avançada para retrógrada. “Então, mas hoje em dia podemos ter acesso a tanta coisa e muitos direitos foram conquistados. Como podes afirmar que vivemos num tempo atrasado?” – pois bem, passo a explicar. Estando num curso de Artes, um colega meu sugeriu debatermos acerca do facto das pessoas do nosso curso serem postas de parte em muitas ocasiões, nomeadamente em termos de empregabilidade. Fizemos um brainstorming, foram criados grupos aonde se pudessem arranjar possíveis soluções para este problema. E o que acabámos por encontrar após escavações é que muito pouco depende de nós. É verdade que se cada um de nós mover as montanhas para a frente, muita coisa se poderá vislumbrar na paisagem, porém, é graças ao trabalho que é feito na política, meios sociais e etc. que reside a origem deste problema. Se nas escolas não nos são apresentados este tipo de problemas, se ainda não existem estímulos suficientes para nos fazer ver, realmente, em que área nos sentimos realmente bem, se debaixo do nosso tecto somos incutidos a fazer aquilo que nos dizem, como é que é possível valorizarmos o mundo das artes e sermos pessoas inovadoras? É impossível existir inovação se o meio que nos rodeia não nos facilita nessa tarefa. Tal como o senhor que nos deu a palestra disse, o facto de sermos diferentes dos outros torna-nos inovadores, mas tal como refutei, não existe inovação se não nos for dado algo velho para fazermos frente. É praticamente improvável existirem escolas e pessoas que dêem o verdadeiro valor às artes quando nem se esforçam para tal. 
Mesmo que continuem a existir trabalhos artísticos fantásticos, nomes bastante conhecidos, o cinema, a música, a dança, a literatura, a pergunta que muitos insistem em repetir como que em um disco riscado permanece ao longo dos tempos: “Mas para que é que servem as artes?”. Há muito que desisti de explicar que a arte não é só pintar linhas e ficar de pernas cruzadas em cima da mesa. Por vezes parece que, quanto mais explicamos algo, mais ouvidos moucos aparecem. É quase que uma falácia tentar negar que a sociedade em que vivemos é, meramente, científica. Sim, é um facto de que não existiriam altos computadores e smartphones se não fossem os designers que, muito provavelmente, estudaram num curso direccionado para as artes, assim como os programadores que tiveram de estudar algo mais científico e tecnológico. E mesmo sabendo destas coisas, o que é que as pessoas continuam a afirmar? Que não existe saída e que não há dinheiro para tal. É mais que natural as pessoas do meu curso ficarem frustradas. Não é para menos, andamos nós a fazer algo que amamos para sermos apedrejados e rotulados de preguiçosos que não querem levar com a matemática. Embora defenda que tudo o que fizermos com amor tem saída e dá dinheiro, não posso negar que, se não houver interajuda, investimentos e uma boa receção por parte das pessoas, tão pouco existirão estradas que nos facilitem a chegada ao sucesso.
Foi uma boa palestra, tenho de admitir. Por muito pouco que tenha durado, foi o suficiente para me obrigar a pensar neste assunto de uma maneira mais racional e mais da minha maneira. E graças a esta pequena luz do dia, sinto-me uma pessoa diferente e com uma nova motivação para fazer as coisas… Porque nós não fomos a uma pequena palestra falar só das artes e os seus problemas. De certa forma, nós pudemos ter a oportunidade de aprender uma outra forma de termos sucesso enquanto pessoas informadas.