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LIVROS | “Os da minha rua”, Ondjaki (*)

24 de Julho, 2022

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A memória mais agradável que tenho na presença deste livro foi a de quando fui à praia, recentemente. Eu comigo mesma, o sol a acariciar-me o corpo, as ondas como música de fundo, os pensamentos sobre determinado assunto a consumirem-me. Este foi o meu primeiro contacto com a escrita de Ondjaki. Num registo infantil ligado diretamente ao botão da nostalgia, é impossível não se saborear.

Este livro sabe a infância.

Uma vivida, outra relatada, muitas fantasiadas… Todavia, não foge à sua essência, não nos deixando fugir da nossa. Foi uma porta para o passado, para a compreensão do muito que ficou em dúvida e que agora se revela nas gírias de alguns parentes, nas experiências de tantos mais. Aqui, há uma poesia escondida em cada frase de uma personagem que vai amadurecendo não só a pessoa, como também o seu olhar pelo mundo, relatando-o de acordo com as suas ferramentas linguísticas.

Por conseguinte, o tom adequado aos momentos, permitiu-me viajar, gargalhar, identificar-me com a facilidade de quem se coloca a boiar em pleno mar. Raramente fui capaz de controlar o sorriso. O mesmo ainda permanece, prometendo ficar enquanto me recordar da liberdade que foi conviver com a minha criança. Os meus pensamentos dos últimos tempos têm remontado sempre a ela.

Tenho sentido uma espécie de chamado para a resgatar em mim, de forma a compreendê-la. Pelo meio, ela até me possa perdoar.

Perdoar pelos pensamentos tóxicos que ainda tenho e a amedrontam. Pelo tempo que não lhe dedico. Pelas ansiedades duma adulta na presença de uma criança que não viveu o que poderia. No corpo de uma mulher feita, anseio experimentar o que esta criança se sentiu inibida de fazer, seja por medos, inseguranças, vozes que vão perdendo a força.

“Os da minha rua” exala a simplicidade com que a infância deve ser vivida, não obstante as condições de vida, estatutos, por aí adiante. É nesta fase despreocupada que nos deveríamos soltar em direção ao perigo, esgotar a curiosidade por si só infinita, construir ideologias coloridas de um futuro ser humano que escusaria de ser nervoso, irrequieto.

Será essa inquietude as brincadeiras que deixámos em suspenso, numa tarde que prometia deliciosas aventuras? Será a ansiedade um acumular de desafios que a nossa criança não viveu, tornando-se em frustrações? Poderão livros como este converter toda esta energia numa oportunidade para crescermos novamente?

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Entretanto, conta-me: conhecias este livro? Já o leste? ♥