BOX-OFFICE \\ “HEREDITARY” (2018)

Por vezes, questiono-me o que é que habita na cabeça de uma equipa de cinema para que levem a cabo uma ideia inusitada, capaz de nos abalar as estruturas e colocar-nos a questionar toda a nossa existência. Mesmo reconhecendo que a mesma possa ter raízes numa pesquisa intensa e fidedigna, não deixo de me impressionar pela mestria com que a praticam. Desde o momento em que estreou nas grandes salas de cinema – já lá vão dois anos!! -, até ao de estar disponível online, o “Hereditário” chamou-me à atenção pela premissa tão enigmática e difícil de explicar. Confesso que mesmo depois de o ter visto, continuei inquisitiva, talvez um pouco mais treinada para os sustos discretos e muito bem concretizados, mas ainda assim, consumida pela minha estupefacção!

FONTE: POSTER SPY

Está a ser bastante complicado encontrar palavras para tecer uma opinião, no mínimo, dúbia e que já tenha assentado – acho que nunca virá a assentar, na realidade! -. “Hereditário“, se mergulharmos até ao cerne da questão, foca-se nas consequências de uma sucessão de eventos trágicos dentro de uma família, condensando toda a atenção no desequilíbrio psicológico que tal possa causar. Embora comece lento, o cuidado em nos apresentar cada um dos membros da família e suas personalidades, o filme vai adquirindo uma velocidade e intensidades tal, que nos impede de o pausar, tamanha a curiosidade em entender o raio se está a passar!

Não deixa de ser notável a estranheza existente no olhar e nos gestos de cada uma daquelas personalidades, o brilho que as circunda e segue, previamente a antecipar uma calamidade ainda maior, a evidente causadora de todas elas: a questão hereditária e que é mais ou menos explicada, algures numa das cenas. “Hereditário” causa uma certa agonia pela atuação exemplar dos atores, pelas situações que não conseguimos compreender e pela simbologia que encobre toda a história que está a ser contada… Este é daqueles filmes que, intuitivamente, nos dá a entender que terminará pessimamente; o que nos resta fazer é descortinar a gravidade da situação, consoante o tempo se for desmembrando!

Vai fazer um mês que o assisti e ainda permaneço desconfortável dentro de mim, conforme me vou recordando de alguns planos explícitos e das sensações que me causaram. Apesar de tudo isso, é exatamente esse sentimento que eu procuro, aquando de uma sessão de terror: uma desorientação harmoniosa que traga algum sentido à minha vida, e não o oposto. Não me sinto indignada, pelo contrário, fiquei bastante surpreendida por ter conseguido assistir o filme sozinha, tendo em conta o meu receio para com este género! Se, ao contrário de mim, se sentem mais confortáveis – e mesmo que assim não o seja! -, é um filme que aconselho bastante!

Conheciam o “Hereditário”? Como foi a experiência? ♥

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