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Queres tomar um café comigo?

10 de Abril, 2017
Antes de mais, quero que relaxes. Amarra numa bebida que te deixe confortável, mete a tocar uma música que te faça abstrair do mundo em redor, e deixa de lado qualquer tarefa que estejas, neste momento, a realizar. Quero que me prestes bem a atenção, e que interiorizes cada palavra que eu referir. Antes de mais, como estás? E sê sincera/o pois só cá estamos nós a conversar. Se olhares em volta, este sítio é só nosso, portanto, não tens com que te preocupar. Tens passado bem, tens descansado o suficiente? Tens-te alimentado como o teu corpo e a tua alma merecem? Sim, Não? Porque não? Falta-te algum empurrãozinho em que possa ajudar? Não hesites, estou aqui para ti. Não queria iniciar este nosso diálogo com questões pesadas, mas para que a ferida doa menos, vamos diretamente a ela. Recapitulo, só aqui estamos nós, mais ninguém. Não tens desculpa para te sentires influenciada/o na hora em que me responderes; quero apenas que uses o coração, nem que isso leve alguns minutos a mais… Posso começar? Preparada/o? Ótimo.
Quantas vezes tiveste medo de arriscar numa coisa que, só de imaginar, impulsiona o pânico em ti? Quantas vezes esse pânico já levou a melhor de ti, e te fez sentir um/a fracassado/a? Muitas, não é verdade? Não te apoquentes, é recíproco. Já passei por isso, mas aprendi. O que eu gostaria de saber era se tu também já aprendeste essa lição. Tens medo? Medo de quê? De falhar? Mas falhar é humano, independentemente do número de falhas que cometas. O importante é nunca colocares de lado a possibilidade de te sucederes uma e outra vez. Novamente com medo? Porquê? Excluamos o falhanço, desse já conversámos. Tens medo de ser julgada/o, apenas porque o teu sonho não se adequa às ideologias que os outros alimentam de ti? E então? Que têm eles a ver com isso? São eles que estão dentro de ti? Não. São eles que te conhecem melhor do que tu a ti mesma/o? Hm, penso que não. São eles que adormecem contigo durante a noite? Talvez, mas mesmo assim. Se o sonho é teu, se ele é grande, se ele ocupa grande parte do espaço do teu coração, vai em frente. Baby steps at a time, darling. Acredita, com o tempo, tudo se resolve. Não que ele esteja a nosso favor, que ridículo pensar que sim, afinal, estamos a morrer desde o momento em que nascemos; contudo, não penso que esse seja o motivo para nos colocar de pé atrás. O problema é o dinheiro, as oportunidades, a falta de companhia? Ora essa, se estudares as situações, tal como elas merecem, chegarás a um consenso. Vai por mim.
Respira. Queres ir à casa de banho, observar um pouco o céu, fechar os olhos por instantes? Concedo-te esses minutos. Já de volta? Posso continuar? O que é que fazes por ti mesmo/a, e como é que isso melhora a tua qualidade de vida? Escreves quando a tua alma pede por isso, ou deixas passar porque “neste momento, não tenho tempo”? Lês quando tens aqueles dez minutos de pausa, ou preferes ligares-te à corrente para alimentar o teu instastory? Bebes aquele café pela manhã, ou aquele chá preto bem aconchegante antes de ires para os teus afazeres, ou preferes antes não o fazer devido à impaciência para esperar que eles arrefeçam? E aqueles copos térmicos, não? Dão muito jeito, falo por experiência, e já me safaram de muitas. Bons tempos para se congratular a evolução no mundo do design! Coloca a mão no peito. Fecha os olhos. Escuta a minha voz. E muito sinceramente, diz-me, já disseste àquela pessoa que gostas muito dela? Ou àquelas pessoas? Até onde sei, elas podem ser diversas, e sempre muito importantes. Se hoje fosse o último dia de vida delas, pensas que as deixarias partir por completo, sabendo tu que disseste e fizeste tudo o que poderias por elas? Não? Do que estás à espera então? Vá, pega no telemóvel, liga ou escreve uma mensagem, não tenhas medo de expor os sentimentos. Eles existem para serem correspondidos, mesmo que o caminho que tomemos não nos garantam essa reciprocidade. Mas de que seria feita a vida, se a mesma não nos desafiasse? Ah, sinto um pequeno sorriso a bater à porta. Deixa-o entrar cá para fora, para eu o poder admirar. Já te disseram que ficas fabulosa/o quando sorris? Ai sim? Então aqui te deixo mais um elogio!
Que se passa, porquê esse semblante abatido? Bateu-te alguma bad? Porque te sentes dessa maneira? Sentes-te sozinho/a, com falta de motivação, sem o que fazer? Sabes o que queres, mas não sabes por onde começar? Ah, és da opinião de que se torna difícil procurar onde nada existe? Então fica sabendo que tudo existe, e que o problema reside, exatamente, no sítio onde fazemos as nossas buscas. Estando no mesmo sítio, não hás de encontrar nada de novo, pois já te habituaste a essa rotina. Tenta sair da tua bolha, tenta conhecer novas coisas, novas pessoas, novos estilos musicais, novas aptidões, e aí, eventualmente, hás de achar o que tanto perscrutas e não te surge. Nem sempre as coisas estão onde nós julgamos estar. Começa por ver como é a tua rotina e quebra-a de vez em quando. Se o normal é saíres da escola/trabalho e ires diretamente para casa, se nesse dia não tiveres o que fazer, experimenta sair para um lugar que queiras muito e que, inicialmente, não te custe tanto no bolso. Torna-te num/a explorador/a, explora-te a ti mesmo/a, descobre o que gostas de fazer a partir dessas quebras de rotina e coloca isso em prática. 
Mas não gostas de explorar sozinho/a? Aí está outro problema: tu nunca saberás apreciar a companhia dos outros sem antes aceitares a tua própria companhia. Parece a coisa mais absurda de sempre, mas é só mais uma verdade. Para ensinares os outros como lidarem contigo, tu mesmo/a tens de saber lidar contigo mesmo/a. E fazer as coisas sozinhos, passear, cagar para o mundo de forma estilosa é algo de tão bonito e que as pessoas têm de aprender a fazer… E o que eu mais quero é que tu, minha/meu querida/o, valorizes essa mensagem. Continuando a fugir desses teus momentos, obrigar-te-á a fugir de tudo o resto, e as coisas não podem ser assim. A vida tem de se tornar leve, serena, com as suas nuances, mas mesmo assim… Olha bem para ti. Se eu estiver a conversar com alguém que se sinta realizado, putz, nem sabes a felicidade que me preenche agora; porventura, se se tratar do contrário… Achas bem o que andas a fazer contigo? Desvalorizares o que de melhor há em ti por medo, receio? Eu não acho! O que eu acho é que tu és magnífica/o, extraordinária/o, não só um pedação de pessoa, como também uma pessoa inteira. Tu tens potencial, tu tens a verdade, tu tens o talento. Só te falta a força, e eu sei que, bem lá no fundo, ela existe… Nem que eu tenha de te convidar para mais cafés, contudo, quero levantar-me daqui sabendo de que ficarás bem. Prometes? De certeza? Vou confiar em ti, e pedir um bolinho para nos acompanhar. Que preferes agora, um chá? Que venha ele!