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FACULDADE \ PRAXIS last moments

21 de Setembro, 2016
Foi com imensa pena que não pude comparecer no último dia de praxe, hoje dia 21 de setembro de 2016. Por muito tentada que estivesse em voltar para o recinto da faculdade, as responsabilidades, em conjunto com o cansaço físico (coisa que se tornará muito comum no futuro), obrigaram-me a vir para casa. Apesar disso, e sabendo que talvez tenha perdido alguma coisa, estou de consciência limpa para o facto de ter participado intensamente nos outros dias, retirando até umas quantas aprendizagens que terei o cuidado de enumerar, aqui ou numa outra publicação.
Ontem, para mim, vivi e senti dos melhores dias da Praxe. Na segunda-feira tive de regressar um pouco mais cedo, sendo que a única coisa à qual pude retirar uma conclusão foi de que as aulas de Laboratório de Arquitetura prometem. Assim sendo, ontem, terça-feira, foi o dia do baptismo, das músicas, da diversão, da emoção… Nunca pensei que me pudesse sentir tão emocionada, não obstante a falta de lágrimas ao vivo. Sei que escolhi, de modo acertado, os meus Padrinhos e Madrinhas, e tanto um como os outros garantiram-me de que estarão ali para mim, relembrando-me que, precisando de alguma coisa, é só chamar. Ontem, foi o dia de nos sentarmos todos, enquanto caloiros, em Belém, e escutarmos a ArquitecTuna que, embora o espaço físico não tenha facilitado na ampliação das vozes e instrumentos, presenteou-nos com um espetáculo fascinante e cujo me convenceu a vê-los mais vezes. A vibe dos artistas continuou ali; a Comissão fez um brilhantíssimo trabalho ao receber-nos de braços abertos, com ideias geniais e um cuidado extremo que todos deveriam ter; a dita cuja hora do discurso foi feito pela Comissão e repetido por nós, recebendo o apoio de um “Diploma de Baptismo” ao qual tivemos direito; foi bater os dentes pelo facto de ter sido batizada já à noite e ter feito um frio desgraçado, mas ao mesmo tempo ser cobrida por uma das capas de um dos meus Padrinhos. 
Aplaudo de pé a dedicação e precaução da Comissão de Praxe da FAUL. É muito comum vermos e ouvirmos pessoas com experiência na praxe, afirmando que as ruas ficam sujas, que é inexistente o laço entre os Ex.mos Senhores e os caloiros, que apesar da praxe ter como o objetivo unificar as pessoas, acaba por separá-las. Depois desta semana intensa, e como disse nas primeiras publicações acerca da mesma, a praxe da FAUL tem como finalidade criar uma família. Não houve um dia sequer que eu tenha sentido desprezo ou mesmo sido desprezada, mal tratada ou pisada pelos mais velhos. Muito pelo contrário! Sinto-me uma pessoa ainda mais feliz por ter participado de uma Praxe onde me senti em casa e junto de pessoas fantásticas, sendo elas da Comissão e caloiros como eu. Conheci imensa gente; ganhei muitas boas alcunhas; estou a criar laços que espero que perdurem; observei que a Comissão teve a precaução de cobrir as ruas com sacos pretos, de modo a previnirem a sujidade das mesmas, assim como solicitaram o uso de estabelecimentos, tais como cafés e associações, para que as atividades fossem realizadas. Será com muito orgulho que me inscreverei na mesma Comissão que me recebeu de sorriso no rosto e coração aberto.
Esta semana serviu para que eu aprendesse muita coisa, não só acerca de mim, mas também de pequenos pormenores que por vezes me passam despercebidos. A cada dia de mostardada, passei a apreciar ainda mais o banho. É comum queixarmo-nos do cheiro, do toque e do incómodo que é estarmos sujos com comida e terra, caso nos sentemos, mas é algo que passa despercebido, o facto de existirem pessoas em condições piores do que nós, sendo que nem um copo de água têm para beber… Aprendi que reclamar de coisas destas é quase que desnecessário, sendo que é um problema que, para mim, tem solução. Percebi, também, que é mais do que possível existir a convivência num determinado espaço, cotado de diversas personalidades. A universidade, apesar de mal ter começado, já me anda a abrir ainda mais os olhos para a diversidade que existe na espécie humana, e no quanto conseguimos e podemos aprender com as pessoas que nos rodeiam. E a Praxe, tal como muitos pregam adequadamente, foi um conjunto de dinâmicas que me fez crescer um pouco mais. A minha cama, a minha rica cama, ganha pontos e muito amor a cada dia que passa. O simples toque do edredão é o suficiente para me sentir acolhida e confortável, recarregando as energias para o dia seguinte… Aprendi acerca de coisas pequenas, mas que me tornam em alguém de coração maior. E quem me dera a mim, que todas as Praxes de alto a baixo do país, abrissem os olhos dos caloiros de forma tão positiva, como me aconteceu a mim!