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Livros vs Filmes

10 de Novembro, 2015


Costumo dizer que alguns dos filmes que andam por aí são meros destruidores de sonhos. E por sonhos, tenho por definição “livros”. Se fosse há dois anos, eu ficaria na minha sem opinar acerca deste assunto. Mas as leituras que se tornaram abundantes e habituais não mo permitem. Já me aconteceu ver um filme e descobrir que a inspiração para tal advinha de um livro. Já me aconteceu comprar esse livro e ficar com os olhos mais esbugalhados do que pode ser possível. Os motivos são dos mais óbvios: falta de informação; a mudança da mesma; a troca de cenários. É verdade que não convém uma adaptação cinematográfica de um livro se estender para quatro ou cinco horas, mas ao menos que fossem fiéis aos factos que levaram imenso tempo a serem inventados e retratados pelos escritores, mas também pelos muitos leitores que existem por aí fora. Eu sei, pareço uma louca aqui a falar, mas como leitora já me dececionei imenso com os muitos filmes de adaptação. Um exemplo recente é da saga Maze Runner (por aí além). Absurdo ou não, a verdade é que eu fiz download do primeiro filme e deixei-o em banho-maria por dois anos, a aguardar a oportunidade de comprar a trilogia em livro, para só depois ver a adaptação. Deceção foi a minha quando toda aquela adrenalina que me percorreu o corpo na leitura do livro, foi falecendo ao assistir o filme. Não que ele esteja mau, seria uma grande de uma falácia se o dissesse. Um dos meus “grandes problemas” enquanto pessoa e leitora é que eu presto muita atenção aos detalhes (quando calha, porque na maior parte das vezes consigo ser muito desleixada); e o facto de muita coisa ter sido modificada fez de mim um “monstro” pior do que os magoadores (quem leu, percebe). Eu gritei em silêncio (pois eram quase duas da manhã de julho e os meus pais já estavam a dormir); saltitei na cama feita maluca; coloquei pausa no filme, enquanto a minha mão se erguia aberta para a minha testa, tal era a desilusão; babei-me com o Dylan O’brien e o Ki Hong Lee (à partes para desanuviar); tudo porque eu criei a expectativa de que o filme seria tão bom como o livro. Outro problema aqui da Carolayne.
Subjetividade de parte, tantos os produtores de cinema como os escritores de livros são artistas. Existe sempre uma necessidade, mesmo que recôndita, de criar algo nunca antes visto e recriar o que nos inspira. Não julgo. Estou num curso de Artes, sou artista, também sofro disso. Acontece que se torna bastante chato apercebermo-nos de que uma obra que nos encantou da primeira frase à última palavra fora desmontada e desorganizada para algo que chegamos a não reconhecer, por vezes. Não quero parecer uma anti-cinema, nem pensar. Ai de quem ouse acreditar que sim; a frigideira que tanto aguarda ser utilizada surge para me defender (respirem, estou só a brincar). Sou uma grande admiradora do cinema. Estudei a sua origem, encantei-me pela genialidade da sua criação, aprendi conceitos e tive “contacto” com os muitos cineastas que fizeram da história do cinema algo impossível de se copiar e esquecer. Não julgo o cinema. Não sou de julgar. Mas por vezes deixo-me levar pela repulsa em relação ao jogo do mercado que existe. Pelos direitos de autor que são comprados. Pelo “desrespeito” pelas ideias desenvolvidas. Pelo sofrimento que leitores como eu sentem. 
Adaptar um livro ao cinema é dar-lhe mais uma vida, para além do mundo imaginário que criamos sob ele. Posso ser “contra” os produtores que modificam as histórias a duzentos porcento, como admiro aqueles que têm o cuidado de ler com atenção, estudar o assunto, pensar como um leitor que é fã e reproduzir da maneira mais fiel a obra criada, tornando-a maior. E como exemplo, eu tenho o nosso querido amigo, Harry Potter. Não digo barbaridades. Vi os filmes antes de ler os sete livros; impus-me a lê-los com a maior urgência; estou prestes a começar o quarto livro da saga; tenciono rever as adaptações; e mesmo reconhecendo que me vou chatear por detetar as pequenas falhas de adaptação, também sei que me encantarei vezes e vezes sem fim por esta saga maravilhosa e que nos faz viajar tanto pelas páginas como pelo ecrã, assobiando pelos cantos da casa, a trilha sonora que lhe representa. 
É estupidez (podem lhe chamar assim) comparar uma grande obra com algo que nem lhe chega aos pés (e isto depende de pessoa para pessoa). Mas com estes exemplos, penso que os meus argumentos tenham sido minimamente explícitos. Não sou contra a adaptação cinematográfica dos livros. Admiro a capacidade que alguns dos produtores de cinema têm de transformarem duas linhas de texto em cinco maravilhosos minutos de cenário bem conjugado. Sinto-me acalorada quando muitas das minhas interpretações correspondem com as interpretações do produtor que decidiu adaptar o livro. Fico muito feliz quando esse trabalho é bem feito (tanto que existem filmes que são beeeem melhores do que os livros de origem). Grande parte do meu sangue agrupa-se nos meus olhos quando alguém cuspe elogios acerca de um filme, sem saber que é uma adaptação e quando fica a par da situação, responde com a boca cheia de que os filmes são melhores do que os livros porque é só sentar e levar duas horas no cinema ou então porque ler é uma seca e os filmes são mais fixes. Ou mesmo quando a adaptação encontra-se numa escala abaixo de zero, as pessoas têm conhecimento de que existe uma origem à qual chamamos livros e julgam que estes são tão podres como os filmes. Sou mesmo capaz de dizer que as adaptações para séries são muitos mais fiéis do que a dos filmes, pois são por episódios e a margem de manipulação permite não deixar de lado algumas informações que são importantes. Mas acima de tudo, sinto-me orgulhosa por ter este amor pelos livros e poder falar por eles.
E esta, meus amigos, é a minha opinião acerca dos livros contra os filmes.